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Ad Fabiano et allia.

Publicado por Julio Anjos em 2007, 26 de Maio

Tenho estado a seguir pelo canto do olho (que neste ultimos tempos não consigo dispensar mais que isso) as entradas recentes criadas pelo nosso compadre Fabiano  e estou adorando, mas queria mesmo assim deixar aqui uma acha para a reflexão:

O próximo que me vier com a cantada de que a “internet é como uma biblioteca” leva com a minha moxila na cabeça.

Asseguro que o Fabiano não o faz, é apenas um pensamento que me sai tipo bola de bilhar que apanhou impulso de raspão, sendo o impulso provocado pela afirmação  (de cor que agora não encontro o post outra vez) de que “a internet é lixo? E não o são tantos livros?”.

É absolutamente verdade. Mas enquanto que na biblioteca o bibliotecário tem poder de selecção, por isso se chama “colecção” e não “fundo”, ainda que em certa medida as bibliotecas de depósito legal sejam arquivos da produção tipográfica nacional.

Com isto apenas digo que as bibliotecas com papel de depósito legal têm de aceitar tudo o que sai dos prelos, as outras todas têm e exercem o poder de selecção.

Mas aonde eu queria chegar é ao seguinte: a internet é como uma livraria (bookshop), não como uma biblioteca (library). Na livraria há de tudo o que foi produzido e pode ser vendido dando um lucro. Na biblioteca há o que foi escolhido por alguém contratado para o efeito de fazer render os metros lineares de parteleiras em benefício de uma comunidade leitora e consumidora de informação a que serve. A internet é uma livraria em que não há barreiras de entrada, nem mesmo a barreira básica de que “se deve ter algo para dizer”.

Nalgumas bibliotecas há 5 “Cosmos” de Carl Sagan e, se tanto, uma ou outra obra de Erich von Daniken. Noutras bibliotecas, servindo outros públicos, haverá dois exemplares de cada “Erich von Daniken” e apenas um “Cosmos”. É assim que deve ser: o bibliotecário é um “escolhedor”. No caso extremo das nossas bibliotecas pessoais o bibliotecário de serviço é precisamente cada um de nós.

E a propósito da aula de ICUD: um dos papeis a que o bibliotecário tem de se adaptar é exactamente, tendo desaparecido as barreiras à entrada nessa grande livraria que é a internet (leiam “A Cauda Longa”), fazer de cada internauta um auto-bibliotecário que esteja pelo menos consciente de que está numa livraria a ver o que foi “produzido”, não numa biblioteca a ver o que foi “seleccionado”.

Voltando a  ”a internet é lixo? E não o são tantos livros?”. Quanto a mim a questão reconfigura-se em: “Há muito lixo na internet? E não há muito lixo em tanta livraria? E não há muito lixo em tanta biblioteca?”. Por efeitos de cauda longa, toda e cada biblioteca (desde a do Congresso até à micro-biblioteca de uma biblia na mesa de cabeceira de um quarto de hotel) é o monte de lixo de Um e o nirvana de Outro.

Portanto “”internet é como uma biblioteca”"? Impossível: não escolhi nada que lá esteja!

PS: E agora, os meus pesadelos vão-se debruçar sobre a especulação: A B-ON é uma biblioteca?

PPS (Duas horas mais tarde): E agora qual a prateleira cujo uso que é necessário optimizar? Não, não é em metros! É em horas. Se na biblioteca física tem-se de optimizar os metros lineares de prateleiras na iternet tem-se de optimizar o uso dados às 24 horas que inexoravelmente continua a durar o ciclo circumdiano.

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