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Entrevista Newsletter CI: Bibliotecas, Web 2.0 e Bibliotecas 2.0

Publicado por Julio Anjos em 2009, 10 de Fevereiro

Newsletter CI: O que altera nas bibliotecas que aplicam a web 2.0? Como pode ser esta aplicada por estas instituições? Que ganhos visíveis podemos ter?

Júlio dos Anjos: Para reflectir sobre o impacto da Web 2.0 nas bibliotecas há que colocar três conceitos em perspectiva: Web 2.0, Bibliotecas que usam Web 2.0 e Bibliotecas 2.0.

- Web 2.0: Ao abrigo da vaga de ideias a que se chamou Web 2.0 geraram-se um número infinito de ferramentas fáceis de usar para a colocação de conteúdos na Web.

Estas ferramentas destroem as barreiras de entrada à presença na Web de qualquer instituição/ideia que se queira aí ver expressa. Não só a presença, mas a presença rica em formas de expressão como o texto, áudio, vídeo, etc.

- Bibliotecas que usam Web 2.0: Estas ferramentas são gratuitas, são fáceis de usar, contribuem para a prestação de serviços de comunicação e exposição das unidades documentais com regularidade.

A biblioteca tem de se expandir e tornar visível no ambiente em que os utilizadores passam o tempo, e hoje em dia cada vez mais utilizadores passam cada vez mais tempo na internet.

A biblioteca tem de competir por um segmento da atenção dos seus utilizadores quando estes estão a explorar o mundo via internet!

Que razões há para as bibliotecas quererem ser visíveis na Web? Porque a espécie humana continua a ter de obedecer a um ciclo de 24 horas! Simplesmente temos apenas 24 horas de atenção para dispensar ao mundo! Cada vez mais grupos demográficos estão a gastar essas 24 horas em cada vez menos actividades que os ponham em contacto com a biblioteca-edifício.

Entendo que a pergunta colocada revela conter a própria resposta: a “que ganhos visíveis podemos ter?” a resposta imediata é: “visibilidade”.

E uma vez estabelecido que a biblioteca deve estar presente na Web, entendo que existe a obrigação de fazer essa existência visível por meio de uma presença “regularmente renovada” ao invés de uma página institucional com horários de abertura, dados estatísticos da colecção, história institucional e do edifício, e pouco mais. Veja-se a presença “oficial” da Biblioteca da Ajuda (http://www.ippar.pt/sites_externos/bajuda/index.htm) e a presença “real” da Biblioteca da Ajuda (http://bibliotecadaajuda.blogspot.com)! Qual das duas contribui mais para a execução da missão da Biblioteca da Ajuda? Creio que é a em bibliotecadaajuda.blogspot.com.

O uso de ferramentas da Web 2.0 pelas bibliotecas talvez não tenha impacto na qualidade de serviço percebida por 70% dos utilizadores regulares da biblioteca “edifício”, mas estende a nossa influência e torna-nos visíveis a grupos demográficos que de outra maneira chegarão à idade adulta sem nunca ter posto os pés numa biblioteca (a não ser uma biblioteca escolar, para cumprir castigo, o que a longo prazo equaciona, em termos de programação neuro-linguistica, “bibliotecas” com “antecâmaras do serviço prisional”).

Dito de uma maneira muito simples: a maior parte das bibliotecas, mais tarde ou mais cedo, acabará por ter um serviço noticioso regular aos seus utilizadores potenciais, via Web, com imagens, fotografias, vídeos, gravações áudio, etc. Não o estar a fazer neste momento e época, é um desperdício de tempo e oportunidade. É continuar a trabalhar à luz da vela, quando há electricidade grátis em todo o lado!!!

É certo que as operações de comunicação de qualquer serviço documental não têm de ser operacionalizadas com um blogue no blogspot ou no Sapo; os vídeos da hora do conto ou da palestra do autor famoso não têm de ser apenas de 320 por 240 pontos nem residir no youtube; as fotografias daquela colecção maravilhosa de postais que está no fundo local não têm de estar publicadas no flickr.

Podem-se usar várias outras ferramentas, mas é impossível contratar uma plataforma de edição de conteúdos multimédia e a largura de banda, sem passar por um concurso público, abertura de propostas, restrições orçamentais, etc. No entanto, as ferramentas Web 2.0 permitem concretizar a visibilidade do serviço documental, com qualidade mais que razoável e um custo imbatível: € 0!

As bibliotecas estão então perante três opções: procuram obter financiamento para uma ferramenta que faça tudo; usam várias plataformas de auto-publicação e repositórios multimédia que existem na Web 2.0; confessam que não há competência para divulgar a biblioteca para além da montagem de expositores no hall de entrada!

- Biblioteca 2.0: Se até agora falei do valor táctico da Web 2.0, quero agora diferenciar o conceito que emerge do impacto, não da Web 2.0, mas da mentalidade 2.0, que ao ser adoptada por bibliotecas, as transforma qualitativamente em Biblioteca 2.0; aquela que o Pedro Príncipe dizia que tinha de ser uma “opção ousada”.

Uma Biblioteca 2.0 é aquela em que algumas das notícias, publicadas no blogue, para além de serem escritas e assinadas pelo director, têm os comentários dos utilizadores aceites, publicados e respondidos pelo mesmo director à vista da comunidade servida.

Uma Biblioteca 2.0 é aquela que, tendo o catálogo acessível na Web, permite comentários aos livros e a possibilidade de os utilizadores valorizarem o prazer que um determinado livro lhes deu.

Uma Biblioteca Nacional 2.0 seria aquela que custearia a infra-estrutura de serviços informáticos para que toda esta informação fosse “registável”, “validável” e “trocável” ao longo de toda a Rede Nacional de Leitura.

Uma Biblioteca Universitária 2.0 é aquela que permite registar a importância do capítulo 3 de determinado livro para a compreensão de determinado ponto de vista numa disciplina não relacionada, sendo esse registo feito por um professor ou por um aluno.

Uma Biblioteca Universitária 2.0 é aquela que permite e põe em evidência, a atribuição de termos de indexação pelos alunos!

Um Serviço Documental 2.0 é aquele que não obriga a que um texto de 150 palavras esteja visado por 3 directores e ortograficamente corrigido por 5 pessoas antes de o publicar.

Uma Biblioteca 2.0 é a que dialoga, aceita e convida o utilizador a participar nela electronicamente!

A maior parte destas actividades nem é nova: a orientação ao serviço ao utilizador, o desenvolvimento promovido em função das necessidades dos utilizadores, a procura de ser um centro da agregador da comunidade, etc.

Fazer da biblioteca uma montra da comunidade em que está inserida, sempre foi uma das funções da biblioteca. Deixar os membros da comunidade colocarem “post-it’s” nos livros é que não! Este convite à expressão do utilizador, e a imediata incorporação da sua contribuição é que é pôr “2.0” na “Biblioteca”… e é uma mudança real do conceito de biblioteca, ajustando-a aos novos tempos e possibilidades tecnológicas.

A Biblioteca 2.0 corresponde ao afastamento de uma mentalidade da “catedral” e a adopção de uma mentalidade mais própria do “bazar”, uma passagem da mentalidade de rede de “torres” e “bastiões” para uma mentalidade de “nuvem” em que tanto as bibliotecas como os seus utilizadores são “gotas”.

É perante esta ponderação que há que ser audaz; o “nada fazer” é contribuir para a que “Biblioteca” venha a ser rotulada com “obsoleto”, “anacronismo”, senão mesmo com “extinção”.

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